História
A ratazana castanha é originária da Ásia, entre o sub-continente indiano e a península de Kamtchatka. O nome Rattus norvegicus, rato norueguês, deve-se ao facto de a ratazana castanha, depois da entrada dos primeiros especimens na Europa, por volta do séc. IV, ter proliferado não só nas cidades da Alta Idade Média, mas, também, nas florestas da Europa Central e Escandinávia.
Isto levou a que, por engano, a taxionomia oficial a considerasse endémica da Noruega. Nos meados do séc. XIX, os avanços da ciência ditaram que alguns animais fossem mantidos em laboratório e, cedo se percebeu, as ratazanas tinham um potencial inestimável enquanto cobaias.
Não é porém, como muitas vezes se diz, destas cobaias que descendem as linhagens domésticas, embora tenha havido inúmeros cruzamentos com elas. Nas principais cidades inglesas, durante a época vitoriana, havia os chamados “rat-catchers”, apanhadores de ratos por motivos sanitários. Estes ganhavam por cada rato que apanhassem, o que levou a que alguns, menos honestos, criassem ratazanas em casa, de modo a ganhar mais dinheiro.
Desenvolveu-se também um negócio de apostas em torno de lutas de ratazanas, durante algumas décadas, mas, a inteligência destas é de tal modo impressionante que, o que vingou, foi a manutenção delas enquanto animais de companhia. Conta-se que um destes rat-catchers, de seu nome Jack Black, foi o primeiro “breeder” (criador) de “fancy rats” (nos EUA chamam-lhes “twisters”). Em 1901, foi organizada a primeira exposição, com um concurso, dedicada às ratazanas domésticas. Antes de começar a falar de ratazanas, há que distinguir entre quatro linhagens diferentes: as selvagens, as urbanas, as domésticas e as de laboratório.
As selvagens existem um pouco por todo o mundo, sobretudo na Ásia, onde são consideradas uma iguaria gastronómica. Podem ser portadoras de algumas doenças, como qualquer animal selvagem. As urbanas, também chamadas “de esgoto”, são as mais conhecidas. Têm alguma agressividade e podem transmitir várias zoonoses (doenças transmissíveis entre animais diferentes) ao homem como a raiva, leptospirose, parvovirose, toxoplasmose e peste bubónica. As domésticas são descendentes das primeiras selvagens e urbanas apanhadas, cruzadas algumas vezes com as de laboratório.
Não são portadoras de zoonoses, a não ser que as apanhem de outros animais domésticos. São na generalidade dóceis, salvo algumas excepções, como por exemplo, as que são criadas como alimento para répteis, sem contacto com humanos nem apuramento das características.
Por último, as de laboratório. São criadas em ambiente controlado, por forma a não terem qualquer doença, o que leva a um sistema imunitário ineficaz. Não é aconselhável ter estas ratazanas como animais de estimação, visto não terem defesas naturais para sobreviver num ambiente As ratazanas são animais sociáveis, com uma esperança média de vida em cativeiro a rondar os dois anos. Nunca devem ser mantidas sem companhia de outros indivíduos da mesma espécie. Exigem dos donos uma atenção diária e, pelo menos, uma hora fora do viveiro. São capazes efectuar tarefas complexas como provas de agilidade. Reconhecem os donos, respondem pelo nome e podem até passear pela casa atrás das pessoas.